Pelo segundo ano consecutivo, taxistas abrem mão de mais um reajuste na bandeira

Os taxistas estão fazendo de tudo para recuperar a clientela perdida diante da concorrência com aplicativos de transporte particular. A data base para o reajuste anual se encerra neste mês de janeiro, mas a categoria já enviou documento para a Coordenadoria de Táxis e Transportes Especiais (Cotae) solicitando a suspensão do reajuste. Essa é a segunda recusa em dois anos.

 

O último aumento na tarifa de táxis ocorreu em janeiro de 2016, quando o reajuste de 10,48% foi aprovado, e a bandeirada passou de R$ 4,35 para R$ 4,81. Presidente da Associação Metropolitana dos Taxistas (AMT), Valdeilson Miguel esclarece que entidades de outros estados que estão sem reajuste há dois anos, a exemplo de Fortaleza, Brasília e São Paulo, foram consultada antes do envio oficial ao Cotae.

“A maioria dos taxistas achou por bem não ter reajuste. É uma situação difícil, tivemos muitos prejuízos, mas se aumentar perderemos mais passageiros. Aqueles com a ideia do reajuste terão de se adequar à situação e esperar a próxima oportunidade”, disse, em entrevista à Tribuna da Bahia.

De acordo com ele, o objetivo é recuperar os clientes que migraram para serviços de empresas como a Uber e 99 Pop. “Percebemos que, nesse final de ano, tivemos uma estabilizada. Houve um crescimento na demanda, o que é muito bom para a categoria. Não tivemos bandeira 2 obrigatória, somente alguns taxistas que quiseram roda. Sentimos a diferença”, destaca o presidente da AMT.

A fim de ajudar na decisão sobre o aumento da tarifa, uma enquete foi criada para ser respondida por todos os membros da categoria. Até a manhã de segunda-feira (15), ainda circulando, a enquete apresentava que 70% dos taxistas foram contra o reajuste, conforme destaca o presidente da Associação Geral dos Taxistas, Denis Paim.

“Nos últimos três meses, percebemos um retorno de quase 30% no número de passageiros. A própria concorrência está fazendo várias coisas erradas com a população. As pessoas estão se conscientizando e voltando para o táxi. A categoria vai abdicar do aumento para conseguir agora, em 2018, reconquistar os passageiros. Aumentar seria um tiro no pé”, garante.

Taxista há 13 anos, Ivan Jesus Santos, 43, tem posicionamento de acordo com as associações. “Estamos em um momento de crise, ainda mais com os aplicativos. Se aumentar, a demanda cairá ainda mais. Tivemos aumento de combustível, pneu, carro. Porém, não reajustando, as pessoas vão voltando pelo valor, além da segurança que o táxi traz”, opina.

Aplicativos de táxi conquistam

Muita gente admite que, apesar dos riscos assumidos ao preferir utilizar um carro particular, no final das contas, o que mais pesa é o valor da corrida. A estudante Ciara Lopes, 23, conta que já utilizou todos os aplicativos de corridas disponibilizados em Salvador, e que muitas vezes opta por chamar um táxi.

“Tem um aplicativo, o 99 Táxi, que dá vários descontos, então tenho utilizado muito ele. Principalmente quando vou para shows, porque o Uber entra em preço dinâmico, deixando o preço da corrida quase três vezes mais caro. E eu acho quem nesses momentos os motoristas do 99 Pop vão para o Uber, pra ganhar mais. Assim, pra mim, acaba ficando mais em conta pegar táxi”, afirma.

A dona de casa Miranda, 46, começou a utilizar aplicativos para transitar pela capital baiana após conselhos da filha. Contudo, descobriu sua própria plataforma. “Baixei o 99 errado. Era para ser o 99 Pop, mas quando chamei, apareceu um táxi. Fiquei sem entender, depois descobri que há dois aplicativos diferentes que são 99. Mas o de táxi é o que sempre tenho utilizado. Minha filha também começou a usar. Disse está valendo os descontos”, esclarece.

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