Pesquisa Atlas Político: 71% do eleitorado foi atingido por fake news e 36% do acreditou no “kit gay”

O Atlas Político perguntou ainda se os eleitores acreditavam na distribuição, pelos Governo do PT, do chamado “kit gay”, nome pejorativo dado por Bolsonaro a um material anti-homofobia que jamais chegou a circular, muito menos para crianças de seis anos, como disse o candidato

Uma pesquisa da consultoria Atlas Político resolveu ir além da simples pergunta se o eleitor usa ou não as redes sociais e aplicativos –ou se admite acreditar no que recebe por meio delas– para tentar rastrear o impacto de mensagens distorcidas, sem comprovação ou claramente mentirosas e injuriosas nesta campanha.

Há quantas pessoas chegou, por exemplo, o boato estimulado pela deputada eleita do PSL de São Paulo, Joice Hasselmann, de que uma “grande revista” havia recebido 600 milhões de reais para falar mal de Jair Bolsonaro? Segundo o monitoramento do Atlas, onde os entrevistados são recrutados aleatoriamente na Internet e a amostra é rebalanceada para ter representatividade nacional, 71% dos eleitores dizem ter conhecimento da “informação”, que não tem qualquer base ou fundamento a não ser fazer parte da guerra política. Perguntados se acreditam que órgão de imprensa, como a Veja ou Folha de S.Paulo, receberam milhões para apoiar o PT, 35% disseram que acreditavam na afirmação, 36%, que não acreditavam, enquanto 13% afirmaram nunca ter ouvido falar nisso contra 17% que não souberam ou não quiseram responder. São números eloquentes.

Hasselmann, ex-jornalista da revista Veja, não apresentou nenhuma evidência ou prova quando gravou o depoimento sobre o “acordo” de apoio ao PT, que foi transmitido tanto no Facebook como no YouTube, ambos com milhões de seguidores. Usou tão somente sua reputação de jornalista, por um ano da própria revista, para falar a seus seguidores e a seus mais de dois milhões de eleitores. Não que não haja apurações off de record, mas uma acusação tão grave e ao mesmo tempo tão oportuna levanta profundas suspeitas. Com ela, a então candidata fez funcionar a bem azeitada máquina de campanha de Bolsonaro. Na semana em que Hasselmann fez a acusação, o repórter do EL PAÍS, Afonso Benites, monitorava grupos de apoio ao candidato de extrema direita. Ele capturou como a postagem da então candidata se espalhava velozmente no WhatsApp e como, imediatamente, foi usada como vacina quando a Veja publicou documentos do processo de divórcio de Bolsonaro com duras acusações da ex-mulher, entre elas, a de que ocultava patrimônio.

O Atlas Político perguntou ainda se os eleitores acreditavam na distribuição, pelos Governo do PT, do chamado “kit gay”, nome pejorativo dado por Bolsonaro a um material anti-homofobia que jamais chegou a circular, muito menos para crianças de seis anos, como disse o candidato. Nada menos que 36% das pessoas disseram crer na informação mentirosa, que o TSE obrigaria Bolsonaro a tirar das redes poucos dias atrás, contra 45% que disseram que não –apenas 4% disseram não ter tomado conhecimento do tema. Num caso ainda mais absurdo, nada menos que 15% das pessoas disseram acreditar que Fernando Haddad defendeu o fim do tabu do incesto em livro, algo publicado pelo filósofo de extrema direita Olavo de Carvalho em suas redes (30% disseram não acreditar, 34% não tinham ouvido falar e 21% não souberam ou não quiseram responder).

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