A Polícia Federal e o Ministério Público Federal abriram investigação sobre o acidente que matou o ministro Teori Zavascki.
Teori estava prestes a decidir se aceitaria a megadelação da Odebrecht – envolvendo centenas de políticos. E a cobrança agora é por uma investigação rigorosa do desastre. Rigorosa, transparente e que leve a respostas definitivas sobre o que levou à queda do avião.
Dois representantes do Supremo Tribunal Federal também vão acompanhar o início das investigações.
A presidente do Supremo Tribunal Federal, ministra Cármen Lúcia, disse que a pedido da família, o velório e o enterro serão em Porto Alegre.
A Polícia Federal já abriu inquérito. O que causou o acidente? É o que delegados, peritos e papiloscopistas tentarão desvendar. Eles seguiram na quinta-feira (19) para Paraty. A maioria dessa equipe trabalhou na investigação da queda do avião que matou o então candidato a presidência Eduardo Campos. O Ministério Público Federal também já entrou no caso.
Em nota, associações de magistrados cobraram rigor na apuração. A Ajufe disse que a investigação é imprescindível, diante das circunstâncias em que ocorreu a queda do avião.
A Anamatra declarou que é absolutamente fundamental que as causas e circunstâncias do acidente sejam apuradas, com a maior rapidez e transparência.
Em rede social, a ONG Transparência Internacional, de combate à corrupção, também pediu imediata investigação, porque disse que Teori Zavaski era uma pessoa chave na aprovação das deleções premiadas da Odebrecht, que ele estava analisando. As delações que ainda precisam ser homologadas citam nomes de diversos políticos.
A presidente do Supremo Tribunal Federal, ministra Cármen Lúcia, chegou à noite a Brasília. Ela disse que passou o dia em contato com a família. Que vai a Porto Alegre para o velório. E não quis falar sobre o andamento da Lava Jato – que tinha Teori como relator: “Não tem nada por enquanto. Minha dor é humana como eu tenho certeza que é a dor de todo brasileiro por perder um juiz como este”.
A pedido da família não vai ter cerimônia de despedida em Brasília.
Ao longo do dia, diversos políticos divulgaram notas lamentando a morte do ministro e elogiando a atuação de Teori Zavaski. E o país está de luto oficial por 3 dias.
O Supremo continua de recesso.
Em nota, o ministro Luiz Fux chamou o ministro Teori de amigo querido e exemplar. Falou que ele foi e será daquelas pessoas das quais não só nos lembraremos sempre; mas antes jamais o esqueceremos pelo bem que realizou em prol do país e da justiça.
Outro colega, o ministro Luis Roberto Barroso falou que Teori era um homem íntegro, preparado e trabalhador. Diz que perde um amigo querido, que recebia em casa com frequência. E completou dizendo “somos todos vítimas de uma trapaça da sorte”.
A ex-presidente Dilma, que indicou Teori para a vaga de ministro do Supremo em 2012, disse que ele foi um intelectual do direito, zeloso das leis e da justiça.
E o presidente Michel Temer lamentou a morte: “Nesse momento de luto, manifesto eu e minha equipe, aos familiares do ministro e dos demais integrantes do voo, meus sentimentos de pesar e associo-me a todos os brasileiros, ao lamentar a perda de um homem público cuja trajetória impecável a favor do direito e da justiça sempre o distinguiram. O ministro Teori Zavascki era um homem de bem e era um orgulho para todos os brasileiros”.
Com a morte de Teori Zavascki, o presidente Temer disse ainda que tem pressa para indicar o substituto, mas ainda não tem o nome do escolhido.
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