
Cartas foram encontradas no entorno do viaduto da BR-020, em Caucaia, que sofreu tentativa de explosão em uma das pilastras. Governo não comentou as ameaças
Cartas deixadas em torno do viaduto da BR-020, em Caucaia, na Região Metropolitana de Fortaleza, que sofreu tentativa de explosão na madrugada desta quinta-feira (3), fazem ameaças ao Governo do Estado diante da possibilidade de mudanças no sistema prisional.
Fortaleza e Região Metropolitana viveram série de ataques horas depois de o novo secretário de Administração Penitenciária, Luís Mauro Albuquerque, afirmar que não manterá divisão de presídios por facções.
As cartas, vistas por equipe do programa Barra Pesada, da TV Jangadeiro/SBT, têm datas anteriores à fala do secretário, dias 23 e 28 de dezembro, mas coincidem com o anúncio de que Albuquerque assumiria gestão dos presídios cearenses. O Governo do Estado anunciou a nova pasta em 21 de dezembro.
No papel datado de 23 de dezembro, criminosos pedem trégua entre facções para que o alvo se torne o Governo. A justificativa seria a intenção do governador Camilo Santana de trazer para o Estado a Força de Intervenção Penitenciária Integrada (Fipi), que atuou no Ceará em 2016, após rebeliões. A Fipi foi idealizada e coordenada pelo novo secretário.
A carta diz ainda que não é necessária “mudança radical”, pois o estado estaria “controlado”. No papel, consta ameaça de explosões a pontes, viadutos, linhas de trem e metrô.
O segundo “informativo” localizado pela equipe do programa Barra Pesada/TV Jangadeiro, de 28 de dezembro, volta a dizer que as cadeias estão “tranquilas” e que a situação pode mudar de acordo com as atitudes do Governo.
O conteúdo ainda faz suposta denúncia de que faltam materiais básicos na rotina dos presídios como fardamento, material de limpeza e de higiene pessoal.
Foi perguntado, por e-mail, à assessoria da Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) se o Governo se manifestaria sobre o conteúdo, mas não houve resposta. O Tribuna do Ceará se reserva a não publicar na íntegra o conteúdo das cartas nem a imagem delas.
Série de ataques
Fortaleza e Região Metropolitana vivem série de ataques desde o final da noite da quarta-feira (2). Criminosos tentaram derrubar viaduto em Caucaia, destruíram veículos em prédio da Prefeitura de Horizonte e incendiaram ônibus e fotossensores. Ao todo, foram 13 ataques.
As ações criminosas acontecem após fala do novo secretário da Administração Penitenciária do Ceará, Luís Mauro Albuquerque, de que não reconhece facção criminosa e não adotará divisão de presídios por facção.
Albuquerque é policial civil, fundador da Diretoria Penitenciária de Operações Especiais (DPOE) do Distrito Federal e idealizador e coordenador da Fipi que atuou no Ceará nas rebeliões de 2016.
Diante das declarações do novo secretário, a futura presidente do Conselho Penitenciário do Ceará (Copen), Ruth Leite, em entrevista ao Tribuna do Ceará, disse que, nas condições em que o sistema está atualmente, haverá matança nos presídios caso não haja separação de presos por facções dentro das unidades.
O secretário nacional da Segurança Pública, General Guilherme Theophilo, ofereceu intervenção federal após ataques no Ceará: “Está na mão do governador”.
Confira a cobertura sobre o caso:
3/1 – Ônibus de Fortaleza vão circular normalmente mesmo após ataques, garante Sindionibus
3/1 – General Theophilo oferece intervenção federal após ataques no Ceará: “Está na mão do governador”
3/1 – Grande Fortaleza sofre onda de ataques um dia após secretário anunciar fim da divisão de facções em presídios
2/1 – “Haverá matança, se juntar detentos de facções diferentes no mesmo presídio”, alerta Copen
2/1 – Novo secretário promete fim da divisão de presídios por facções no Ceará.
Veja também:
Poder Paralelo – Cartas de bandidos ameaçam governo cearense por mudanças no sistema prisional