O pai dos gêmeos de 14 anos baleados dentro de casa em Camaçari acredita que os filhos estavam sofrendo ameaças. Segundo o homem, que preferiu não se identificar, os garotos mudaram de comportamento nos últimos dias. Eles costumavam sair cedo para vender verduras em uma feirinha e água na sinaleira, mas só retornavam a noite. No sábado (24) e domingo (25), eles voltaram para casa no início da tarde e não quiseram mais sair.
Na noite de ontem, por volta das 19h, Jason dos Santos Lopes foi morto a tiros na sala da casa onde morava com o pai e a avó, no bairro Jardim Limoeiro, após dois homens armados invadirem o imóvel no condomínio residencial Morada dos Pardais. O irmão gêmeo também foi baleado com quatro tiros e está internado no Hospital Geral de Camaçari. Ele tem dificuldades para respirar, mas seu quadro de saúde é considerado estável.
Segundo o pai dos garotos, os suspeitos chegaram empurrando a porta do apartamento que já estava entreaberta e perguntaram pelos irmãos. A avó teria tomado a frente para reclamar da invasão, mas Jason estava sentado no sofá e se apresentou. Ele foi baleado na cabeça e tórax, não resistiu aos ferimentos e morreu no local do crime.
O irmão dele que tinha ouvido o chamado já estava no corredor quando os disparos foram dados. O garoto tentou correr, mas foi encurralado na cozinha e baleado quatro vezes no maxilar, tórax e braço esquerdo. Ele foi socorrido para o HGC, onde permanece internado. Uma tia também presenciou o crime. Em nota, a Polícia Militar informou que não atendeu a ocorrência e não prendeu ninguém.
Segundo a Polícia Civil, os meninos tinham um histórico de envolvimento com roubos e tráfico de drogas. “Por mais errado que ele seja, não quero perdê-lo. Não faço vista grossa. já fiz de tudo”, disse o pai. Temendo um novo ataque, ele disse que vai tirar o garoto da cidade assim que tiver alta médica.
O pai dos meninos trabalhava como hidrojatista industrial no polo de Camaçari, mas ficou desempregado desde que foi preso há quatro anos com maconha. Ele foi enquadrado por tráfico, ficou preso por 15 dias e agora responde em liberdade.
Por conta do antecedente criminal, o rapaz vive de trabalhos autônomos. “Falei com o juiz para internar os meninos, mas eles fugiram no dia seguinte. Botei na escola, mas pararam no 6º ano. Fico em busca de emprego e fazendo meus biscates. Não tenho como controlar eles”, justificou o pai, que está desde o ocorrido na porta do hospital. “Estou aqui sozinho desde ontem. Tem que liberar o corpo de um e cuidar do outro. A ficha ainda não caiu. Não acredito que Jason morreu”, lamentou emocionado.
Segundo o pai, a mãe dos adolescentes fugiu há cerca de seis anos para São Paulo após ter sido ameaçada de morte. Ela também teria envolvimento com tráfico de drogas. “Eu não sou o pai biológico, só registrei. Por isso, quando a mãe abandonou eu tive que cuidar deles. Não podia deixá-los”, disse. Segundo ele, a família materna dos meninos havia rejeitado ficar com eles por conta do comportamento.
O caso está sendo investigado pela titular da 4ª Delegacia de Homicídios (DH), Maria Tereza Santos, em Camaçari. Ainda não há previsão para o sepultamento de Jason.