A produção das refinarias brasileiras não é suficiente para abastecer o mercado interno. O país precisa buscar no exterior um óleo que não é produzido aqui
O preço internacional do petróleo caiu, em parte em consequência da expectativa sobre resultados das conversações entre Rússia e Ucrânia. E tem o lockdown na China, que cria uma possibilidade de redução de consumo.
Ainda assim, o custo do petróleo neste momento é uma preocupação planetária, mesmo para países que produzem, porque existem tipos diferentes de óleo. O Brasil, por exemplo, precisa buscar no exterior um óleo que não é produzido aqui.
O Brasil produz 3 milhões de barris de petróleo por dia e consome 2,5 milhões. Mesmo assim, importa 300 mil barris por dia.
Se produzimos mais do que gastamos, por que não somos autossuficientes?
A explicação para essa conta não vem só das calculadoras. Vem também dos laboratórios. É que existem vários tipos de petróleo. Alguns são mais pesados, mais viscosos. Outros são chamados de leves, ideais para fazer alguns tipos de combustíveis.
Isso é fundamental na hora de transformar o óleo bruto em gasolina, diesel, querosene de aviação e todos os subprodutos que saem da refinaria.
As refinarias do país foram quase todas construídas até a década de 1970. Nessa época, o Brasil importava petróleo leve do Oriente Médio. Então, as máquinas foram escolhidas para essa matéria-prima.
Em 1979, encontramos as grandes reservas da Bacia de Campos, no litoral do Rio de Janeiro; e nos anos de 1980, adaptamos as refinarias para processar o petróleo pesado que extraíamos de lá.
Na primeira década dos anos 2000, tivemos que fazer novas adaptações. Dessa vez, para o petróleo do pré-sal. Ele é mais leve do que o de Campos, mas ainda mais pesado que o do Oriente Médio, por exemplo.
“A Petrobras já fez os investimentos que eram necessários. Se a gente olhar para o tanto que a gente usa hoje de petróleo brasileiro, nós temos uma taxa bem alta. Hoje, de tudo o que é refinado, 92% são de petróleo brasileiro. Em 2000, a gente usava só 75%, ou seja: 25% do petróleo refinado eram importados”, conta Rodrigo Leão, pesquisador da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (Ineep)
Hoje, 75% do petróleo refinado no Brasil vêm do pré-sal, 17% são da Bacia de Campos, mais pesado, e ainda precisamos importar 8% de petróleo leve para conseguir a mistura ideal para o refino, tanto do ponto de vista técnico quanto do econômico.
“A análise é feita até por inteligência artificial. São milhares de variáveis que entram aí, e que variam também de acordo com a precificação desses subprodutos no mercado internacional. Tem época que a gasolina vale mais, tem época que vale menos, então o que se coloca quando vai se planejar uma carga da refinaria, você leva essas variáveis todas em consideração para que você otimize o resultado dessa refinaria em termos de rentabilidade e de atendimento ao mercado”, explica Eberaldo Almeida, presidente do Instituto Brasileiro de Petróleo e Gás (IBP).
Mas, mesmo assim, toda a produção que as nossas refinarias conseguem fazer não é suficiente para abastecer o mercado interno. Então, nós continuamos importando os combustíveis e vendendo o excesso de petróleo bruto que não damos conta de refinar.
“A gente exportou, ano passado, 1,2 milhão barris por dia, nos transformando no maior exportador de petróleo da América Latina. E por que a gente tem dependência em refino? Por que o Brasil importa 30% dos derivados que consome? É que faltou investimento em refinaria. A Petrobras, nos últimos, anos investiu muito pouco em refino, porque ela privilegiou o investimento em exploração e produção de Petróleo, que dá uma taxa de retorno maior para empresa”, diz Adriano Pires, diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura.
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