Procuradoria denuncia Lula, Marcelo Odebrecht e outros nove por cinco crimes

Os quatro inquéritos irão apurar separadamente suspeitas de envolvimento de políticos de três partidos em uma organização criminosa que atuou no esquema de corrupção na Petrobras (Foto: EBC)

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O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o empresário Marcelo Odebrecht foram denunciados pela Procuradoria Geral da República pelos crimes de corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro, tráfico de influência e organização criminosa. A acusação, que envolve outros nove investigados, foi enviada à Justiça Federal nesta segunda-feira (10).

Segundo a denúncia, “as práticas criminosas ocorreram entre, pelo menos, 2008 e 2015 e envolveram, segundo o Ministério Público Federal, a atuação de Lula junto ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e outros órgãos sediados em Brasília com o propósito de garantir a liberação de financiamentos pelo banco público para a realização de obras de engenharia em Angola”.

Os trabalhos foram executados pela Construtora Odebrecht, que em retribuição ao favorecimento, repassou aos envolvidos, de forma dissimulada, valores que, atualizados, passam de R$ 30 milhões. A participação de Lula ocorreu em duas fases, segundo a denúncia. A primeira, entre 2008 e 2010, quando ele ainda era presidente.  E a segunda, entre 2011 e 2015, já como ex-mandatário, momento em que cometeu tráfico de influência em benefício dos envolvidos.

Além disso, o ex-presidente deve responder por lavagem de dinheiro, crime que, na avaliação dos investigadores, foi praticado 44 vezes e que foi viabilizado, por exemplo, por meio de repasses de valores justificados pela subcontratação da empresa Exergia Brasil, criada em 2009 por Taiguara Rodrigues dos Santos, “sobrinho” de Lula e também denunciado na ação penal.

Além do ex-presidente, de Marcelo Odebrecht e de Taiguara integram a lista de denunciados José Emmanuel Camano Ramos, Pedro Henrique de Paula Schettino, Maurício Bastianelli, Javier Chuman Rojas, Marcus Fábio Souza Azevedo, Eduardo Alexandre de Athayde Badin, Gustavo Teixeira Belitardo e José Madureira Correia. Na ação, os procuradores explicam que a apresentação da ação penal não significa o fim das investigações.

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