Conforme noticiamos no início do mês, o diretório estadual do Partido dos Trabalhadores (PT) se reunirá entre os dias 18 e 19 de novembro para discutir uma série de assuntos ligados à sigla e à conjuntura política, a exemplo das eleições municipais.
“Vamos fazer uma reunião ampliada do diretório, envolvendo a bancada estadual e federal, prefeitos e vice eleitos em 2016. Vamos fazer balanço das eleições e discutir 2017. Temos a realização de um congresso e as eleições para a direção do partido também serão a pauta”, declarou o presidente do PT na Bahia, Everaldo Anunciação.
Os problemas enfrentados pelo partido geraram preocupação na cúpula, que deverá fazer uma renovação geral nas direções no início de 2017. “Ampliar o diálogo com a sociedade petista, pessoas que não são filiadas, mas que participam do partido. É um partido histórico, que tem uma sociedade que milita na cultura, no meio ambiente, na comunicação… Cabe à gente criar esse diálogo”, disse Anunciação à Tribuna.
“Precisamos criar unidade, criar compactuações. Quando a gente discute ideias, a gente mostra direções e dialoga com o conjunto do partido. Criar uma harmonia interna e criar esse diálogo com o externo, com quem está de fora”, completou.
Com uma redução expressiva no número de prefeituras na Bahia (de 92 para 40), o PT também amargou a derrota em Vitória da Conquista, que ontem elegeu Herzem Gusmão (PMDB) e encerrou um longo ciclo do partido no município. Foram 57,8% dos votos válidos para o candidato de Geddel Vieira Lima (PMDB), contra 42,4% para o do governador Rui Costa (PT).
“Em Conquista, não foi o massacre que a oposição disse que seria. Também compreendemos que, com 20 anos consecutivos administrando a cidade, isso é natural da democracia e da política. E também é fruto dessa onda de ataques que o PT vem sofrendo, além de mentiras do candidato adversário, mentindo sobre a água e várias outras coisas. Encaramos com naturalidade, respeitamos o resultado do pleito e mostra a presença forte do PT em Conquista”, garantiu Anunciação.
O deputado estadual Zé Raimundo (PT) perdeu após uma disputa acirrada, desgastante e marcada por trocas de farpas. O resultado não foi exatamente uma surpresa, já que as últimas pesquisas apontavam uma vitória do peemedebista.
Alteração no comando nacional é prevista
No mês passado, o PT já havia sinalizado que tinha intenções em antecipar as eleições para o comando nacional, antes previstas para 2017, sendo que o ex-presidente Lula e o ex-governador da Bahia, Jaques Wagner, eram os mais cotados para assumir o posto.
O nome do senador Lindbergh Farias (PT-RJ) é outro que tem sido ventilado. O prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, que foi derrotado nas urnas e não conseguiu a reeleição, deverá integrar a nova executiva.
Nesse processo de mudança, o governador da Bahia, Rui Costa, deve ganhar força, bem como os governadores Camilo Santana (Ceará), Wellington Dias (Piauí) e Tião Viana (Acre).
A direção municipal da legenda também foi alvo de polêmica. De acordo com as informações divulgadas no mês de junho, membros da cúpula e as bases da legenda estariam insatisfeitos com a atuação do partido em torno da sucessão interna e das eleições municipais.