O presidente do Partido dos Trabalhadores (PT) na Bahia, Everaldo Anunciação, disse que não vai dar opinião nem falar pela executiva estadual do partido antes da decisão do diretório sobre a expulsão dos vereadores de Salvador Luís Carlos Suíca e Moisés Rocha em âmbito municipal. “Os vereadores alegam que não tiveram direito a defesa. Prefiro ver todo o processo e reunir o diretório estadual”.
O prazo para julgamento do recurso é de 30 dias a contar da data de entrega, que aconteceu na sexta-feira (3), mas Everaldo afirma que a decisão sairá “o mais rápido possível”. “O PT tem muita demanda em Salvador. Precisamos resolver isso logo”, afirmou Everaldo Anunciação.
O vereador Moisés Rocha confirmou que o recurso já foi entregue por ele e por Suíca. Eles alegam que tiveram cerceado seu direito a defesa, e Moisés afirmou que eles fizeram representação no conselho de ética do PT por ‘fraude processual’ contra “alguns membros do partido em Salvador”.
“Foi tudo forjado e arquitetado de forma muito frágil. Eles cometeram diversos erros nessa armação contra mim e o vereador Suíca. Estamos sendo vítimas de uma armação do grupo político liderado pelo deputado federal Nelson Pelegrino dentro do Partido dos Trabalhadores”.
Moisés voltou a comparar o episódio ao impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, o que ele considera ter sido um golpe. “A diferença é que esse golpe contra mim e o vereador Suíca é muito mal feito. Eu tenho dito que golpe no dos outros é refresco. Não vamos conseguir mudar o PT assim. Muito pelo contrário. Nosso partido precisa de uma mudança que saia do diálogo, nosso partido precisa voltar a representar o povo e sua militância”, disse o vereador.
O parlamentar diz que outra coisa que chama sua atenção é a “pressa” do diretório municipal pela expulsão. “Essa pressa toda é uma coisa muito estranha. Eles não deixaram nem que outros membros do diretório argumentassem nada que fosse a nosso favor. Nós definitivamente não tivemos direito de defesa”.
Moisés Rocha diz que está “tranquilo”, e que a acredita que a decisão será revertida e que ele e Suíca continuarão no PT. “Estou absolutamente tranquilo. Nós não fizemos nada de errado”, garante o vereador.
Ele voltou a relatar que não foi avisado da candidatura da vereadora Marta Rodrigues à presidência da Câmara Municipal, o que, pelo menos oficialmente, deu origem ao processo que culminou na expulsão dos dois vereadores.
“Eu já disse e repito: Não houve comunicado da vereadora Marta Rodrigues. Eu a encontrei dia 1° de janeiro na cerimônia de posse dos vereadores da atual legislatura e ela não me disse nada. No dia seguinte, dia 2 de janeiro, dia da eleição do presidente da Câmara, eu cheguei ao plenário por volta das 10h e novamente cumprimentei a vereadora Marta. Ela lamentou o falecimento da mãe do companheiro José Sérgio Gabrielli e mais uma vez não falou nada sobre ser candidata. Minutos depois, a vereadora pegou o microfone e disse que era candidata. Eu e o vereador Suíca obedecemos à orientação do PT, que era de votarmos em Léo Prates. Essa era inclusive a orientação para a própria Marta Rodrigues. Ela também estava com compromisso de votar em Prates”, discorreu Moisés.