“Se eu fosse o prefeito, estaria fazendo muito diferente de Elinaldo”, declara Téo Ribeiro

Téo Ribeiro, ex-vereador e agora colaborador direto do mandato de Dentinho do Sindicato (Foto: Reprodução)
Téo Ribeiro, ex-vereador e agora colaborador direto do mandato de Dentinho do Sindicato (Foto: Reprodução)

Ainda como desdobramento da sua nomeação na Câmara, como funcionário cedido da prefeitura – situação que fez a direita camaçariense tentar passar a falsa ideia de mudança de lado – Téo Ribeiro, ex-vereador e agora colaborador direto do mandato de Dentinho do Sindicato, não poupou as críticas à gestão de Elinaldo.

No seu costumeiro tom amistoso, Téo expôs sua visão do governo, ao mesmo tempo que afirmou torcer por dias melhores. “Eu rogo a Deus que ele [Elinaldo] tome juízo e perceba que política se faz para o povo, para as pessoas, não para os monumentos e partidos.”, pontuou.

180º

“Se eu fosse o prefeito de Camaçari”, avaliou Téo, “estaria fazendo muito, muito diferente que Elinaldo”, avaliou o – ainda – petista. De acordo com a avaliação de Téo Ribeiro, o prefeito reeleito está deixando a desejar tanto no social, quanto na saúde, educação, transporte, funcionalismo público e geração de emprego e renda.

A principal diferença apontada pelo experiente ex-vereador, no entanto, não está na capacidade técnica, mas no coração: “Eu penso numa política diferente do que esse governo pensa. Eu penso na política de inclusão, numa política onde os funcionários públicos são respeitados e valorizados, os professores são respeitados, a população é respeitada. Eu penso numa política feita para cuidar do povo”.

Cargos, não. Pessoas

Na avaliação de Téo Ribeiro, o burburinho em torno da sua presença na Câmara tem um motivo: poder. “Está todo mundo preocupado que eu vá discutir cargos. Eu não quero discutir cargos, quero discutir a cidade. Esse momento é de discutir a Covid, discutir como o povo de Camaçari vai ser vacinado, como o povo do Brasil vai ser vacinado, discutir como a gente pode contribuir para que a cidade cresça mais e saia dessa agenda atual e volte para uma agenda de futuro, de metrópole”, pontuou, de forma taxativa.

Um dos grandes erros que ele vê na gestão de Elinaldo e nas anteriores é a forma como os prefeitos enxergam o município: “Camaçari não é mais uma cidadezinha provinciana como muitos que fazem política em Camaçari pensam. Camaçari cresceu, já é uma metrópole e precisa ser pensada como tal”.

Para finalizar, Téo Ribeiro porém pontuou que torce pelo sucesso da gestão Elinaldo, por razões óbvias. “Eu não sou desse governo e não me vejo nele, mas quero que ele esteja bem porque é bom para o nosso povo. Governo é bom quando ele atende os anseios da população”.

Dois mil e vinte e…?

Como é de conhecimento público, em 2012 um nos nomes mais cotados para disputar a prefeitura de Camaçari pelo PT, inclusive com certo clamor popular, era o de Téo Ribeiro. Por decisão unilateral de Caetano (acatada pelas fracas forças internas do PT Camaçari), Ademar Delgado foi ‘empurrado goela abaixo’ da cidade inteira e alçado ao posto mais importante do município.

Numa história digna de enredo de novela e que deve estar fresca na memória da população, a criatura se voltou contra o criador, arrastando não apenas Caetano como todo o partido para um buraco cavado com a revolta dos camaçarienses. Efeito cascata, Elinaldo foi eleito em 2016, prometendo mudança mas dando continuidade à péssima gestão de Ademar.

Todos aqueles que vivenciam a cena política da cidade sabem que ser prefeito era um sonho de Téo Ribeiro, um castelo de areia derrubado por seu amigo. ‘Amigos, amigos negócios à parte’, diz-se. E política é, certamente, também negócio. Esse, no caso, deu errado. E o preço nada barato continua sendo pago.

E as falas de Téo suscitam novamente uma questão antiga: não teria sido melhor ele do que Ademar? O tempo não retroage…

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