Você, cidadão camaçariense, usuário dos serviços de urgência e emergência em Camaçari, está satisfeito com o atendimento em saúde oferecido pelo município? Não? Pois, aparentemente, a prefeitura está satisfeita com o atendimento que oferta.
Após várias denúncias de falhas recorrentes no atendimento da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da Gleba A, a Secretaria de Saúde de Camaçari (Sesau) decidiu se manifestar: em nota, a pasta declarou que está tudo dentro dos conformes e culpou a Secretaria de Saúde do Estado (Sesab) pelo único problema que admite existir: a superlotação de leitos.
O que mais chama atenção é a resposta dada pela secretaria à queixa de demora no atendimento: de acordo com a Sesau, “o tempo de atendimento, de acordo com o nível de gravidade da cada paciente, está dentro do preconizado pelo Ministério da Saúde”.
De acordo com a nota, a secretaria chegou a essa conclusão após analisar “após analisar os prontuários eletrônicos dos pacientes atendidos nos últimos dias, onde é possível identificar o momento que o paciente dá entrada na recepção, a triagem e o momento que o mesmo é atendido no consultório médico”.
No entanto, o Ministério da Saúde não define, exatamente, o tempo de atendimento.
Classificação de risco
O que o Ministério da Saúde define, de fato, são protocolos de acolhimento, denominados “classificação de risco” de cada paciente, para garantir que aqueles em risco de morte e outras condições mais graves sejam atendidos primeiro, invertendo a antiga lógica de atendimento por ordem de chegada.
Assim, o primeiro atendimento, ou seja, a triagem, deve ser feito de forma rápida e efetiva para todos os usuários das unidades, já que é nessa etapa que será definido o grau de risco de cada paciente. Entre as queixas sobre o atendimento na UPA da Gleba A, a demora de passar pela triagem é assunto recorrente, como já foi mostrado pelo CFF.
Além desse aspecto específico, a cartilha Acolhimento e Classificação de Risco nos Serviços de Urgência, divulgada em 2009 pelo Ministério da Saúde afirma: “É importante ressaltar que não se pretende aqui criar normas ou estabelecer parâmetros rígidos, sendo que estas considerações e propostas devem ser adaptadas,
repensadas e recriadas de acordo com as singularidades de cada situação, local, diferentes demandas, numa construção coletiva pelos sujeitos envolvidos – trabalhadores, arquitetos, engenheiros, gestores e usuários”
Em outras palavras, se a população está, reiteradamente, demonstrando insatisfação e sofrimento com o nível de atendimento prestado, é obrigação do poder público buscar formas de ajustar o serviço oferecido para satisfazer a necessidade dos cidadãos, ou pelo menos abrir o diálogo para ouvir essas demandas, coisa que o governo Elinaldo tem se recusado a fazer desde a mudança da UPA Nova Aliança para UPA pediátrica.
Covid
Ainda sobre triagem, a Sesau admitiu que não há separação prévia de pacientes com suspeita de Covid e os demais usuários das unidades. De acordo com a secretaria, “após triagem, os pacientes suspeitos de COVID são atendidos em separado dos demais pacientes”. Ou seja: durante todo o tempo de chegada na unidade até passar pela triagem, todos ocupam o mesmo espaço, estando, por consequência, passíveis de contaminação.
Ainda assim, a Sesau considera o procedimento adequado. Ainda segundo a pasta, após a triagem não apenas o local de atendimento é separado como as equipes para atenção e cuidado dos pacientes com Covid são dedicadas.
Acompanhantes
Já sobre a denúncia de superlotação da unidade, a Sesau disse apenas que não se trata de pacientes. “A maioria dessas pessoas são acompanhantes dos pacientes que muitas vezes chegam a unidade com duas ou três pessoas”. Para sanar o problema, a Sesau prometeu instalar, ainda nesta terça-feira (09), um espaço para os acompanhantes aguardarem: “um toldo com cadeiras, água e ventilação no estacionamento da UPA para que os acompanhantes possam ficar. Onde, somente os pacientes poderão aguardar na recepção da unidade”. Veremos se a promessa será cumprida.
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