O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, disse ontem que se a reforma da Previdência não for votada até fevereiro não irá mais colocar o assunto em pauta. “Sem a reforma a gente não sabe o que vai acontecer com o Brasil, mas não vou ficar nessa agenda a vida inteira. Não dá para carregar isso além do mês de fevereiro. Votou em fevereiro, votou. Não votou, será a agenda da eleição do próximo presidente. Vamos ver quem vai enfrentar o tema de forma transparente, de forma aberta.” Maia reconhece que o governo não tem hoje os 308 votos necessários para aprovar as mudanças nas regras do INSS, mas diz acreditar que é possível construir maioria para aprovar ao menos alguns pontos da proposta, como idade mínima e a igualdade para servidores públicos. “Alguns defendem que é esse texto ou nada. acho que se tiver voto com esse ótimo, se tiver voto para outro, bom. Ninguém vai achar que mesmo o próximo governo eleito com força vai fazer uma reforma previdenciária profunda. Não vai fazer.”
Para complementar: “Vamos conversar com os deputados. Não é o que a gente gostaria, é o que a gente pode. Não adianta sonhar com coisas que não existem. Não há apoio da sociedade para uma reforma ampla que não existe.” Pesquisas a que Maia teve acesso mostram que 80% das pessoas acham que há outras formas de recuperar a Previdência. É esse entendimento que precisa mudar, afirma. “Quando vejo autoridades do governo dizendo que a Previdência quebrou, elas precisam explicar melhor o motivo de ter quebrado. Precisa explicar melhor para que a gente possa aprovar alguma solução que ajude o próximo presidente a começar seu governo. O mito da Previdência está diminuindo, não tá diminuindo como a pesquisa do governo diz, mas está diminuindo.”
Para o presidente da Câmara, o problema é de comunicação. “A Previdência está quebrada, mas a sociedade não acredita nisso. Culpa de quem? Culpa nossa que comunica mal. Culpa do governo, que tem um canhão na mão que são os comerciais e está comunicando mal. Culpa nossa que quando a gente fala a gente também não fala direito.” O governo comemorou ontem pesquisa Ibope que “mostra pela primeira vez que menos da metade dos entrevistados (44%) se dizem contrários à reforma da Previdência proposta pelo presidente”, como escreveu no Twitter o ministro Moreira Franco.
Democrata critica suspensão de empréstimos da Caixa
Maia pretende tocar após fevereiro temas como licenciamento ambiental, distrato, agências reguladoras e segurança pública. “Tem um projeto que é criação do sistema integrado de segurança pública. Desarmamento, do jeito que está não dá para ficar. Houve um resultado negativo do Estatuto do Desarmamento para a sociedade. Não se tratar de armar o cidadão, mas de você dar a quem está distante da cidade o direito de ter uma arma porque ela está isolada”, explica. Ele prevê que é possível ter sessão na Câmara até 15 de julho, uma vez que a eleição é de apenas 45 dias.
O presidente da Câmara criticou a decisão do governo de suspender os empréstimos da Caixa para estados e municípios sem “preparar o dia seguinte”. “Eu entendo a necessidade de se reorganizar a Caixa, mas o que vai colocar no lugar? É preciso se preocupar com o impacto na vida das pessoas no dia seguinte. Faltou ao governo do Michel essa preocupação do dia seguinte”, disse. “Suspender investimentos na área de saneamento é um desrespeito com as pessoas mais pobres. Na hora que suspende a gente tem que dizer para a sociedade, para a pessoa mais simples que o filho dela quando for brincar vai continuar no valão do esgoto”, atacou.