Jornalista manda um recado ao ministro Paulo Guedes, que em declaração recente disse que o dólar baixo teria permitido “uma festa danada” com empregadas domésticas viajando para a Disneilândia
Um artigo de Reinaldo Azevedo, publicado em sua coluna no portal Uol nesta sexta-feira (14), viralizou nas redes. No texto, o jornalista conta um episódio que viveu com a mãe, Aparecida, que era empregada doméstica e o levava para a casa de uma das patroas para deixar brancas as pedras porosas do quintal.
“Era preciso esfregar muito. Com sabão em pó e água sanitária, que chamávamos “água de lavadeira”. Os pobres são convidados a encontrar o seu lugar já no vocabulário. “A linguagem é um vírus”. A educação pelas pedras”, escreve.
Reinaldo, então, conta um episódio em que a mãe teria sido agredida pela patroa por “desperdiçar” sabão em pó na lavagem das pedras. “Isso é sabão, custa caro. Vocês nem devem saber o que é. Vocês não conhecem nem sabonete. Vocês nem devem tomar banho”, teria dito a mulher, causando revolta no então menino que acompanhava a mãe, empregada.
“Parei. Encostei a vassoura à parede da casa. Fechei a torneira. Puxei aquela longa borracha azul — era azul —, dobrei em quatro e parti para cima da desbocada: ‘Fala de novo que a gente não toma banho, fdp!’”, conta Azevedo no texto.
Por fim, o jornalista manda um recado ao ministro Paulo Guedes, que em declaração recente disse que o dólar baixo teria permitido “uma festa danada” com empregadas domésticas viajando para a Disneilândia.
“Aparecida, Dona Cida, nunca foi à Disney. Nem sei se o câmbio era favorável à época. Desculpo-me pelo incômodo de contar uma história assim, de chimpanzés contaminados pelo marxismo cultural, vertido, nesse caso, em borrachada didática. Uma lição de moral. Em sua resistência fria. Em sua carnadura concreta”, escreve Reinaldo.
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