Saída democrática passa necessariamente por Dilma

João Santana e sua mulher e sócia, Mônica Moura, alegaram que US$ 4,5 milhões recebidos em uma conta na Suíça tiveram como origem caixa 2 da campanha de Dilma de 2010 (Foto: EBC)
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Dentro de aproximadamente um mês, os senadores decidirão se matam de vez a democracia brasileira ou se buscam uma saída democrática para a crise atual.

Se a opinião pública puder servir como farol, uma única solução se mostra viável: rejeitar o impeachment, uma vez que a tese das pedaladas fiscais e dos créditos suplementares já foi completamente desmoralizada, desde que a presidente Dilma Rousseff se comprometa a consultar a população, por meio de um referendo, sobre novas eleições e reforma política.

É essa a saída que a população aponta por meio do levantamento do Instituto Paraná Pesquisas. De acordo com a pesquisa, nada menos que 73,1% dos brasileiros defendem a saída imediata de Michel Temer. Isso porque 62% querem que ele renuncie para que sejam convocadas novas eleições e 11,1% defendem que a presidente Dilma conclua seu mandato.

Como a tese de novas eleições depende da volta de Dilma, ainda que temporária, é esse o compromisso que ela tem assumido com os senadores indecisos – volta, mas, em seguida, consulta a população sobre novas eleições. Nesse período de transição, a própria equipe econômica, capitaneada por Henrique Meirelles, na Fazenda, seria mantida.

Caso os senadores, no entanto, decidam manter Michel Temer no poder, entrarão para a história como coveiros da democracia. Terão afastado uma presidente que não cometeu crime de responsabilidade, numa farsa jurídica já decifrada pela opinião pública do Brasil e do mundo, para manter no poder um interino extremamente impopular. Ou seja: a saída democrática para o Brasil passa, necessariamente, pela volta de Dilma, para que ela, eleita, possa transmitir o cargo um sucessor também eleito.

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