Sakamoto: Lula quis mostrar que está bem para afastar especulações e urubus

Presidente Lula caminhando nos corredores do Hospital Sírio-Libanês de São Paulo, ao lado de médicos e da primeira-dama, Rosângela Silva, a Janja (Foto: Reprodução)
Presidente Lula caminhando nos corredores do Hospital Sírio-Libanês de São Paulo, ao lado de médicos e da primeira-dama, Rosângela Silva, a Janja (Foto: Reprodução)

Após passar por novo procedimento médico, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) quis mostrar que está bem de saúde para afastar especulações e “urubus” ao publicar vídeo caminhando pelo corredor do hospital, onde permanece internado, opinou o colunista Leonardo Sakamoto no UOL News, do Canal UOL, nesta sexta-feira (13).

Lula quis mostrar que, apesar das intervenções abordarem o cérebro, ele está bem de saúde para afastar especulações, para afastar abutres e urubus. E tinha um monte de urubu na política e na economia.

Após sentir fortes dores de cabeça, Lula foi submetido a cirurgia de emergência devido à hemorragia cerebral, no início da semana, em São Paulo. Os médicos disseram que o petista evoluía bem, sem sequelas e que permaneceria em observação na UTI (Unidade de Terapia Intensiva).

Na tarde de quarta-feira (11), no entanto, um boletim médico revelou que Lula faria um novo procedimento para interromper o fluxo de sangue em uma região de seu cérebro e impedir novos sangramentos. A informação foi recebida com surpresa e gerou ruídos inclusive no mercado financeiro.

Parte do mercado estava pirando na ‘batatinha’. Não o mercado inteiro, é claro, mas tinha gente na torcida, fazendo precificação de que Lula cederia permanentemente o cargo para [o vice-presidente Geraldo] Alckmin. Gente do céu! E aí, baixa o dólar, sobe dólar por causa disso.

As redes sociais do petista foram usadas para postar um vídeo em que ele aparece caminhando nos corredores do Hospital Sírio-Libanês de São Paulo, ao lado de médicos e da primeira-dama, Rosângela Silva, a Janja.

Nas imagens, é possível ver que o dreno, utilizado para realizar as cirurgias de remoção de hemorragias no cérebro, está protegido por uma fita micropore. Esta é a primeira aparição pública de Lula desde que ele foi internado na segunda, após sofrer fortes dores de cabeça.

O médico cardiologista Roberto Kalil afirmou que Lula deve ter alta entre segunda (16) e terça-feira (17), quando poderá viajar de volta a Brasília.

O que aconteceu com Lula?

O presidente Lula se queixou de dores na cabeça no fim da tarde de segunda-feira (9), após o encontro com os presidentes da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), e do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), no Palácio do Planalto.

Lula saiu do Planalto às pressas pouco depois das 18h. A bandeira com o brasão da República, que indica onde o presidente está, só foi arriada por volta das 20h20, e a transferência para São Paulo só foi divulgada na madrugada.

Após passar por exames médicos no Sírio-Libanês em Brasília e ser constatado um sangramento, o presidente foi transferido para São Paulo no avião presidencial, acompanhado por médicos, mas sem uma estrutura hospitalar de UTI. A primeira-dama Janja o acompanhou.

Como foi o procedimento?

O presidente passou por uma embolização das artérias meníngeas, capaz de prevenir sangramentos como o que teve, conforme explicou a reportagem do VivaBem, plataforma de saúde e bem-estar do UOL. O procedimento aconteceu na quinta-feira (12).

A embolização é considerada é uma alternativa pouco invasiva, que pode ser feita para tratar problemas em diferentes órgãos, como miomas, tumores e aneurismas. No caso de Lula, ela foi feita na artéria meníngea média, que fica nas meninges (as camadas que revestem o cérebro e onde foi o sangramento do presidente). A ideia era complementar a cirurgia realizada por Lula na madrugada de terça-feira (10).

O paciente recebe anestesia geral e fica desacordado. Há a entrada de um cateter pela artéria femoral, que sobe pela aorta até chegar ao crânio. Ali, ele identifica a artéria meníngea e entope o vaso. Isso é necessário porque a cápsula da hemorragia não é retirada na cirurgia, pois fica muito aderida ao cérebro. No entanto, ela é muito vascularizada e pode propiciar o risco de novos sangramentos.

Revisão: Mauricio Panicio, neurocirurgião (Imagem: Arte UOL)

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