Quem passa pela frente do antigo Salvador Praia Hotel, no bairro de Ondina, não imagina que atrás do empreendimento há uma bela praia, quase deserta, composta por uma pequena enseada e uma clara faixa de areia que faz o visitante esquecer que está em uma grande cidade.
O paraíso foi batizado de Praia Escravo Miguel, por está situado na rua de mesmo nome. Na manhã de ontem, enquanto muitos banhistas disputavam espaço em famosas praias do litoral da capital baiana, seis pessoas se divertiam e relaxavam nesse local ainda pouco conhecido por turistas e soteropolitanos.
Lucas Pereira, de 16 anos, era um dos freqüentadores. O jovem contou que mora no bairro de São Rafael, mas sempre que está na casa da avó, no Jardim Apipema, localidade vizinha, vai aproveitar o banho de mar ali.
O estudante do ensino médio estava acompanhado do avô e da tia, a pequena Maria Flora, de seis anos, que construía castelos na areia e se divertia molhando os pés na beira do mar. “A gente vem procurando paz, querendo sentar, ver o mar e dar uma relaxada depois de uma semana cansativa, porque aqui não tem muita gente”, revelou.
Apesar do acesso à faixa de areia não ser fácil, pois não há escadas, o que obriga o banhista a descer pelas pedras que ficam no nível da rua, e da ausência de barracas para oferecer cadeiras, sombreiros, comidas e bebidas, isso não foi empecilho para essas pessoas que foram aproveitar o domingo na Praia Escravo Miguel. Ao contrário, parece que esses fatores a tornam ainda mais atraente.
Buracão
Reduto de jovens alternativos, artistas e moradores locais, a Praia de Buracão, fica escondida entre dois morros, no final da Rua do Barro Vermelho, no Rio Vermelho. Embora seja maior e mais cheia que Praia Escravo Miguel, ainda é desconhecida por muita gente.
O comércio ambulante se estabeleceu no local e oferece toda a infraestrutura necessária para proporcionar uma boa estadia ao banhista. Para quem pode pagar mais, o local também abriga o Blue Praia Bar, ambiente sofisticado e com vista e acesso ao mar.
O mar não é dos mais calmos, contudo, pequenas piscinas naturais se formam quando a maré está baixa. Uma boa pedida para as crianças se refrescarem. Foi o que fez a vendedora Jamile da Paixão, que levou ontem o filho Heitor, de um ano e sete meses, para brincar nas piscininhas. Moradora do Nordeste de Amaralina e frequentadora assídua de Buracão, Paixão diz que o local já foi mais vazio. Segundo ela, no último ano a quantidade de banhistas aumentou significativamente.
Outros caminhos
Além dessas praias, a orla da capital baiana está repleta de recantos pouco explorados por banhistas. A Praia da Preguiça, na Avenida Contorno, a Prainha, atrás do Clube Espanhol, na Barra, e a praia da Paciência, no Rio Vermelho, são alguns dos locais que normalmente estão fora do roteiro de muita gente, mas que revelam belas surpresas, como poucos freqüentadores e banho em águas calmas ou piscinas naturais.