Sedur mantém embargo de obras no bambuzal

A expectativa era a de um final feliz para a história. Mas, após o encerramento de mais um capítulo da novela, o suspense continua. Na final da manhã de ontem, representantes da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano (Sedur) e da CCR Metrô Bahia (empresa que administra o transporte na capital baiana) se encontraram para discutir a “polêmica” do bambuzal do aeroporto. No entanto, as obras continuam embargadas.

Em nota, a assessoria de comunicação da Sedur informou que houve a reunião entre representantes das duas entidades, ontem, mas que as intervenções na região do aeroporto realizadas pela CCR continuarão embargadas até que a empresa entre com um pedido de licenciamento na secretaria municipal.

Durante o encontro, o titular da pasta, Sérgio Guanabara, os esclarecimentos prestados pela CCR foram considerados insuficientes. “A Linha 2 sofreu essas alterações no projeto e essas modificações agora estão sendo analisadas, inclusive a questão viária. A licença da linha 2 está vencida e eles estavam executando sem autorização. Tanto o licenciamento urbanístico quando ambiental é de competência do Município”, afirmou.

Já com relação a multa imposta a concessionária, que pode chegar a R$ 5 milhões, Guanabara explicou que a CCR terá dez dias para recorrer. A defesa será analisada pela comissão de julgamento de autos da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano.

Também por nota, a CCR Metrô Bahia esclareceu que todas as obras do viário na região do Aeroporto estão devidamente licenciadas. “A intervenção na área do bambuzal ainda não foi iniciada. A empresa confirma o recebimento de documento técnico da Prefeitura Municipal de Salvador e está avaliando o teor do auto para responder ao órgão competente, dentro dos prazos estabelecidos”, disse a assessoria da empresa.

Governador se manifesta

Na capital paulista participando de um Seminário de Mobilidade Urbana, realizado pelo jornal Folha de São Paulo, o Governador do Estado, Rui Costa, também se posicionou a respeito do tema. De acordo com ele, em entrevista ao portal Bocão News, a polêmica foi transformada em política, relembrando outros entraves junto à Prefeitura.

“O alvará a para construção da passarela durou 11 meses. Para aprovar o paisagismo foram 10 meses. Isso compromete as questões técnicas, que são transformadas de forma permanente em questões políticas e deveriam ser tratados do ponto e vista técnico”, comentou Costa, salientando ainda a fabricação de uma “fake news” na qual apontava a ele uma afirmação falsa de que o local iria “ficar mais bonito sem o matagal”.

“Tem sido difícil não só esse ano, que é ano eleitoral, assim como foi difícil ao longo do período. Isso é um pouco paralelo a um grande acirramento político no Brasil, que aconteceu nos últimos três, quatro anos e que se refletiu na relação do município com o estado. Citando o caso do bambuzal foi retirado 0,19% e se transformou em uma questão política. Esse acirramento tem prejudicado os investimentos e criado uma instabilidade jurídica e de relacionamento do estado com os municípios e vice-versa”, salientou Rui Costa.

Entenda

Paralisadas desde sábado, as intervenções na região do aeroporto contemplam a retirada de 0,19% (segundo o Governo e a CCR) do total dos bambuzais para o alargamento de uma via – conhecida como Rua das Locadoras – que vai facilitar o acesso dos veículos que vão sair do Aeroporto em direção a estação do metrô que leva o mesmo nome.

Em nota divulgada no último final de semana, o Inema, afirmou que a compensação ambiental será realizada com o plantio de árvores nativas em Área de Preservação Permanente (APP) do Rio Ipitanga, próximo à Estação Aeroporto, conforme preveem os estudos ambientais para o pedido de licenciamento. Ainda segundo o órgão, apenas partes das moitas de 11 touceiras do bambuzal, inclusive em uma área que já está degradada, estão sendo retiradas.

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