Senadores de oposição desmontam estratégia de Moro, diz jornalista do Valor

Foto: Reprodução

A estratégia do ministro Sérgio Moro no seu depoimento na Comissão de Constituição e Justiça do Senado é baseada em dois pilares. O primeiro é o de citar as absolvições na Lava-Jato (21% do total de acusados) e indeferimentos das prisões cautelares (91 dos pedidos) como prova de que não houve conluio entre a 13ª Vara da Justiça Federal em Curitiba e o Ministério Público. A segunda estratégia do ministro foi a de acusar seus inquiridores mais duros de quererem anular a Lava-jato.

 

O primeiro a tirar o ministro do sério foi o senador pela Rede do Espírito Santo, Fabiano Contarato. Ele não entrou no mérito das mensagens trocadas entre o ministro, à época juiz da Lava-Jato, e o procurador Deltan Dellagnol. Preferiu citar três documentos, a Declaração Universal dos Direitos do Homem, que diz que todas as pessoas no mundo têm direito a uma justiça imparcial, o Código de Processo Penal, que estabelece o princípio da isonomia processual, ou seja a paridade entre as partes, e, finalmente, o Código de Ética da Magistratura, que exige um comportamento equidistante do magistrado.

O senador foi delegado por 27 anos. E disse ter sido eleito com a defesa da Lava-Jato porque ao longo de toda sua carreira assistiu pobres e negros serem presos enquanto os criminosos do colarinho branco permaneciam soltos. E a operação o havia surpreendido pela coragem em colocar poderosos da política e do mundo empresarial na cadeia. Mas o juiz, disse, está para o processo judicial como o delegado está para o inquérito policial. “E tenho certeza de que se fosse eu, como delegado, que tivesse mantido contato com os investigados num inquérito da maneira como o senhor manteve com o ministério público, eu estaria preso”, disse.

Moro não respondeu às suas indagações e o acusou de querer anular toda a Lava-Jato. Teve um comportamento parecido quando o senador Rogério Carvalho (PT-SE) fez com o ministro aquilo que o então juiz fazia com seus interrogados. Suas perguntas foram inspiradas pela decisão do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, que aumentou a pena do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, de nove para 12 anos, levando-o para o regime fechado, e pela manifestação de Moro, em plenas férias, para impedir que Lula fosse solto por liminar

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