UTI de maternidade continua fechada por conta de “superbactéria”

A Unidade de Terapia Intensiva (UTI) da maternidade José Maria de Magalhães, no bairro do Pau Miúdo, em Salvador, continua fechada por conta de uma infecção com a bactéria serratia, considerada uma “super bactéria”. A previsão é que o serviço fosse normalizado nesta sexta-feira, 13, mas isso não ocorreu, segundo a assessoria da Santa Casa da Misericórdia da Bahia, que administra a unidade.

Mesmo com a UTI ainda fechada, a Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab) disse que houve adequação de 10 leitos, que foram equipados para atender pacientes com demanda de tratamento intensivo (UTI). Com isso, “a emergência da maternidade já voltou a funcionar normalmente, embora a UTI ainda esteja em processo de desinfecção”.

A medida foi tomada após a morte de bebês na unidade. De acordo com o presidente do Sindicato dos Médicos da Bahia, Francisco Magalhães, seis recém-nascidos morreram na maternidade. Também há registro de outros bebês infectados.

Francisco explica que as crianças são mais vulneráveis a esse tipo de contaminação. “Essa bactéria é multiresistente e em criança, principalmente recém-nascida, que não tem o sistema imunológico estebelecido, fica muito mais predisposto (ao contágio)”.

Ele explica que é comum a presença de bactéria em ambiente hospitalar, mas alguns fatores podem contribuir com o surto. O sindicalista explica que a maternidade passou por um processo de alta demanda com equipe reduzida, por conta da suspensão de atendimento de alguns médicos, o que pode ter contribuído a contaminação.

“A bactéria sempre existem no ambiente hospitalar, mas quando perde o controle dela, vai trazer danos a sociedade, como a morte de pessoas”.

A maternidade faz parte da rede estadual, mas é administrada pela Santa Casa de Misericórdia da Bahia.

Caso

A Unidade de Terapia Intensiva (UTI) da Maternidade José Maria de Magalhães Netto, em Salvador, está fechada há uma semana para desinfecção do setor após contaminação por serratia, uma bactéria multi resistente comum em hospitais. “Pelo menos seis bebês infectados morreram no ano passado em um curto período de tempo”, disse médico Francisco Magalhães, presidente do Sindicato dos Médicos do Estado da Bahia (Sindimed-BA).

Em nota, a Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab) informou que o setor foi fechado por conta da necessidade imperiosa de desinfecção dos leitos. Com isso, a internação de pacientes na UTI foi suspensa temporariamente. A assessoria do órgão não confirmou o número de bebês mortos. De acordo com a Sesab, como os pacientes na UTI se encontram em estado crítico, não há como atribuir o número à bactéria.

Ainda de acordo com a Sesab, para resolver o problema, outros leitos da unidade foram equipados com os recursos necessários para oferecer tratamento intensivo. A desinfecção do local já foi iniciada. A previsão é de que o funcionamento seja normalizado ainda nesta sexta-feira (13).

A denúncia das mortes partiu de médicos e trabalhadores da maternidade. “Uma morte atribuída a uma infecção pode ser justificada com a característica do indivíduo que não tem imunidade ou qualquer outro fator. Mas nesse caso, foi estabelecido em um período curto e foram seis crianças”, disse. Francisco não soube dizer o período exato e o intervalo das mortes, mas informou que a situação gerou um mal estar dentro da unidade. Segundo ele, o surto da bactéria começou no final do mês de outubro.

“É comum ter a bactéria nos hospitais, pois há frequência de muitas pessoas e diversas doenças. A bactéria transita naquele espaço. Mas tem de controlar. Quando se perde o controle, há um motivo. É aí que tem de ter uma investigação para saber o que houve”, completou. A Sesab não confirma as mortes.

Mais notícias