Intrépido, o autônomo Luís Paulo Mendes da Silva, 30 anos, conquistou a internet com um vídeo em que aparece se jogando em uma tela de proteção que havia acabado de instalar na varanda de um apartamento de Salvador. Desde então, o negócio do morador de Lauro de Freitas, na região metropolitana, não para de receber pedidos. “Estou vivendo um grande momento”, diz Luís Paulo.
As imagens podem causar aflição em que assiste, mas Luís Paulo garante que não tem nenhum medo. “É um teste que faço para as pessoas confiarem em mim, no meu trabalho. É tudo seguro”, afirma. Ele estima que no vídeo que fez sucesso ele estava acima do 30º andar.
O vídeo foi gravado pela própria esposa de Luís Paulo, no ano passado, mas só agora caiu nas graças da web. Ele trabalha com instalação de telas há mais de 15 anos – além da rede de proteção, também tem serviços como tela para mosquitos, varal, película solar, entre outros.
Pai de dois filhos, Luís Paulo está pensando inclusive em aumentar o negócio por conta da demanda, que aumentou bastante com o vídeo. “Estou recebendo tanta ligação que não estou dando conta”, confessa. Vizinhos, amigos, e até desconhecidos têm parado Luís para elogiar sua coragem, mas ele garante que não se trata disso. “É confiança. Tenho muitos anos de trabalho, eu sei quando a parede é boa, a instalação está boa. Não é maluquice”.
Inquérito
O vídeo fez tanto sucesso que chegou ao Ministério Público do Trabalho (MPT), que abriu um inquérito para apurar possíveis falhas em normas de segurança do trabalho.
O caso está sob responsabilidade da procuradora regional do trabalho Maria Lúcia de Sá Vieira, que vai convocar o responsável pela Rede Salvar. “Temos que ter cuidado para não julgarmos antecipadamente a empresa. O empregado pode estar fazendo isso sem autorização, mas também é preciso saber se isso é algum tipo de orientação como forma de garantia de qualidade, o que seria um absurdo”, afirma ela, em nota.
O inquérito pretende avaliar as condições de saúde e segurança do trabalho dos instaladores e verificar se esse tipo de teste das redes, com a projeção do funcionário contra a tela, é uma prática recorrente ou foi uma atitude “irresponsável e isolada” do trabalhador que aparece no vídeo, segundo o MPT.
Luís é o próprio responsável pela empresa e afirma que não recebeu até o momento nenhuma notificação.
A procuradora pretende também convocar o sindicato da categoria para avaliar se esse procedimento ocorre em outras empresas do setor, o que poderia gerar uma ação coletiva.