O secretário estadual de Desenvolvimento Econômico (SDE) e ex-governador da Bahia, Jaques Wagner, disse, ontem, que um “plano de emergência” será adotado no seu partido, o PT, caso o Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4) mantenha a condenação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). “Ele [Lula] é o nosso candidato, por isso que digo que não há plano B e C. Se ele for interditado, sem outro recurso, aí teremos de construir um plano E, de Emergência”, afirmou, em entrevista à rádio Metrópole. Wagner salientou que não gosta de falar em estratégia para eleições deste ano, sem Lula, para “não jogar água no moinho” dos adversários. Nos bastidores, o ex-chefe do Palácio de Ondina tem sido cotado para ser o “plano B”, se o ex-presidente for barrado pela Justiça. Além dele, o ex-prefeito de São Paulo, Fernando Haddad. Ambos já apareceram em pesquisas recentes para chefe do Palácio do Planalto.
O titular da SDE assegurou ainda que não parte do “pressuposto” de que Lula será condenado, pois, segundo ele, as provas são “inconsistentes”. Wagner rechaçou também a hipótese de que, se o ex-presidente for eleito, o país continuará dividido. “Lula nunca foi de afugentar e espancar ninguém. Se você quiser dar um título para Lula merecido, é o de ser um grande conciliador nacional. Nos oito anos de Lula, quem foi que ele espancou? Quem ele ofendeu? Quais os segmentos de trabalho, de excluído, de barão e dono de banco que não prosperou? Ele é um conciliador”, perguntou o secretário. Ainda na entrevista, Wagner afirmou que a decisão da juíza Luciana Correa, de Brasília, de autorizar a penhora do tríplex do Guarujá, de um credor da OAS, comprova que Lula não é dono do empreendimento. Para ele, a determinação da magistrada jogou uma “pá de cal” em todas as teses que apontam o contrário.
O ex-presidente foi condenado, em julho do ano passado, pelo juiz federal Sérgio Moro, responsável pelo processo da Lava Jato na primeira instância, a nove e meio de prisão pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. A acusação é de que o ex-chefe do Palácio do Planalto ocultou a propriedade de uma cobertura triplex em Guarujá, no litoral paulista, recebida como propina da empreiteira OAS, em troca de favores na Petrobras. Foi a primeira vez, na história, que um ocupante da Presidência foi condenado por um crime comum no país. O TRF-4 julgará, no dia 24 de janeiro, o recurso do ex-presidente.
Secretário aposta em união do grupo de Rui
O secretário estadual de Desenvolvimento Econômico, Jaques Wagner (PT), apostou, ontem, que não haverá racha no grupo do governador Rui Costa (PT), que neste ano disputará a reeleição. Em analogia com o futebol, o petista falou que, no time governista, há hoje “muitos jogadores” para “poucas camisas”, mas ele acredita na união da ala. Ainda segundo Wagner, o Partido Progressista – do vice-governador João Leão – nunca conversou com ele sobre uma eventual saída da base de Rui Costa, apesar de haver uma evidente aproximação entre o filho do vice do Palácio de Ondina, o deputado federal Cacá Leão (PP), e o prefeito de Salvador, ACM Neto (DEM).
De acordo com o site Política Livre, o presidente nacional do PP, o senador Ciro Nogueira, poderia, inclusive, indicar João Leão para o Ministério da Saúde do governo do presidente Michel Temer (MDB), caso a legenda migrasse para o Palácio Thomé de Souza. O atual titular da pasta, Ricardo Barros, terá que deixar o posto até o início de abril, já que será candidato no pleito deste ano.