‘Wagner não será candidato a presidente’

Os petistas não são os únicos que se mostram descrente sobre a possibilidade de o secretário estadual de Desenvolvimento Econômico (SDE) e ex-governador da Bahia, Jaques Wagner (PT), ser candidato ao Palácio do Planalto para substituir o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Da oposição, o deputado federal Elmar Nascimento (DEM) também não acredita nesta hipótese. Em entrevista à Tribuna, o parlamentar democrata disse que o titular da SDE não vai entrar na corrida presidencial porque tem “telhado de vidro”.  “Wagner não é candidato a presidente. Ele é uma pessoa inteligente e sabe que tem muito telhado de vidro. Não resistirá a uma investigação criteriosa da imprensa nacional. Não resistirá 15 dias. Qualquer nome que seja candidato a presidente terá a vida devassada, e, no caso dele, não resistirá”, avaliou Elmar.

O ex-governador apareceu, ontem, na primeira pesquisa Datafolha, em um cenário eleitoral sem o ex-presidente Lula, que pode ser impedido de disputar o pleito, já que o Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4) manteve a decisão do juiz federal Sérgio Moro, responsável pelo processo da Lava Jato na primeira instância, e ampliou a pena de nove anos e seis meses para 12 anos e um mês. Segundo o instituto, Wagner teria hoje 2% das intenções de votos na disputa presidencial. No entendimento de Elmar, o chefe da SDE não será candidato também porque, se Wagner tiver a vida “devastada” pela imprensa, pode afetar o PT da Bahia. “Ele é a maior liderança do partido no estado. Se ele cair, vai cair também o partido e o governador Rui Costa”, analisou o democrata. O deputado federal defendeu, ainda, que o nome do ex-presidente Lula não seja colocado nas próximas pesquisas sobre presidenciáveis. “Nunca acreditei na eleição dele”, ressaltou.

O vice-prefeito de Salvador, Bruno Reis (PMDB), também se manifestou, ontem, sobre o levantamento do Datafolha no qual apareceu o nome de Jaques Wagner para o Palácio do Planalto. “Pesquisa reflete o momento. Não dá para se comentar pesquisa ainda a nove meses das eleições. O importante é que a oposição está fazendo seu trabalho e terá um nome que vai ganhar as eleições. Tenho certeza que o ciclo do PT se encerrou. Ninguém vai querer mais que retorne o PT, que foi responsável pelo país está nesta situação. [A pesquisa] confirma que o PT não tem plano B a Lula. E, como Lula está impossibilitado de ser candidato, fatalmente, o PT não terá uma participação de forma efetiva nas eleições”, afirmou, antes do evento de abertura da Jornada Pedagógica 2018.

“Candidatura de Maia não tem apelo popular”

Apesar de ser aliado, o deputado federal Elmar Nascimento (DEM) admitiu, ontem, que a candidatura do seu correligionário, o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM), não tem “apelo popular”.

De acordo com a pesquisa divulgada ontem pelo Datafolha, Maia teria hoje 1% das intenções de votos na corrida presidencial. “É uma candidatura que não tem apelo popular. Tem que criar condições políticas para aglutinar os partidos da base do governo, ter tempo de TV e ter recursos para a campanha. Apesar da internet e das redes sociais, ainda vai prevalecer quem tem mais espaço de televisão”, disse Elmar, em entrevista à Tribuna.

Maia condiciona sua candidatura ao sucesso da reforma da Previdência na Câmara dos Deputados e ao aumento de seu desempenho nas sondagens eleitorais. Até aqui, o prefeito de Salvador, ACM Neto (DEM), tem sido o principal fiador da candidatura do mandatário do Congresso Nacional. “Ele é o novo e vai incorporar a proposta do novo. Acredito muito que essa candidatura pode vingar e Rodrigo Maia pode ser um candidato muito competitivo”, afirmou Neto, durante a Lavagem do Bonfim. O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles (PSD), que disputa com Maia o posto de candidato do governo, também tem 1% das intenções de votos.

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