O presidente Michel Temer (MDB) criticou ontem as especulações de que apoiar o seu governo trará ônus eleitoral para os quadros políticos – sobretudo aos membros do DEM na Bahia, capitaneado pelo prefeito de Salvador, ACM Neto. De acordo com o ocupante do Palácio do Planalto, em entrevista à Rádio Metrópole, “os amigos democratas podem desfrutar dos bons frutos do governo”. “Às vezes as pessoas não vão com a minha cara, não tem problema nenhum. O problema é analisar o que está sendo feito. Vamos analisar, pegamos uma recessão medonha. Acho que os democratas vão conosco até o final”, afirmou. Temer elogiou a atuação do deputado federal Antonio Imbassahy (PSDB), ex-ministro da Secretaria de Governo (e cotado para integrar a majoritária de Neto em 2018). “Revelou-se uma competência e uma lealdade. Fez com que nos tornássemos amigos pessoais. Muitas vezes você tem ministros e não se aproximam tanto. Com Imbassahy, a gente construiu uma relação pessoal”, declarou.
O presidente também voltou a defender a reforma da Previdência. Ele disse acreditar que o texto será votado ainda em fevereiro. “Só tem vantagem para os mais pobres. Eu acho que vamos conseguir votar agora em fevereiro. Portanto, até o mês de março, penso eu, teríamos liquidado a questão da Previdência trazendo um benefício extraordinário para o Brasil”, disse. Para Temer, o atual texto é “bastante suave”. “Para evitar corte nas pensões, aposentadorias, como já aconteceu em vários estados brasileiros e estrangeiros. Vou dar uma cifra assustadora, a dívida previdenciária foi de R$ 268 bilhões. Vai ser muito mais. Em um determinado momento não dá para pagar mais. Então, estamos fazendo uma reforma que não atinge os mais pobres. Os trabalhadores rurais, tudo continua como antes. O benefício para os mais pobres, os deficientes, gente que tem interrupção nas contribuições e não consegue atingir o tempo de contribuição”, analisou.
Na entrevista, ele também comentou a condenação do ex-presidente Lula no TRF-4: “São duas vertentes, uma delas é a área jurídica, mas não dou um palpite sobre a decisão judicial, eu estaria invadindo outro poder. Sou consciente de que um poder não invada o outro. Na parte política, se ele pudesse ter participado das eleições, não sei se poderá, a derrota dele politicamente seria mais útil do que uma simplesmente de natureza judicial. Ele tem prestígio, não posso deixar de dizer, perdeu muito e, digo eu, se pudesse participar e fosse derrotado, politicamente seria adequado”, analisou. O presidente da República afirmou que considera ter batido as metas que estabeleceu para o seu governo. “Considero [que bati]. Em palavras muitos simples, estabelecemos um chamado teto de gastos públicos. […] Fizemos uma reforma do Ensino Médio, que há 20 anos era desejada por todos. Fizemos a repactuação da dívida dos Estados”, elencou.