O desemprego atinge 14 milhões de pessoas no Brasil. Por conta da crise financeira que assola o país, quem não consegue se reinserir no mercado de trabalho, busca no comércio informal uma alternativa para sobreviver. Foi o caso do ex-encanador Denilson Pereira, de 31 anos, que após ser demitido de uma empresa de construção civil, passou a vender acessórios para celular em uma sinaleira da capital baiana.
Há dois anos, ele sustenta sua esposa e uma filha pequena com o dinheiro arrecadado nas vendas em uma sinaleira na região da ACM. Mesmo afirmando que ganha em média um salário mínimo por mês com as vendas no semáforo, o ex-encanador quer mesmo é voltar a trabalhar com carteira assinada. “Aqui dá pra pagar as contas e levar comida pra dentro de casa, mas eu quero é me fichar, porque é melhor e dá pra pagar o INSS”, acrescentou.
Quando o sinal estava prestes a fechar, o coordenador de contratos José Salvador parou seu carro próximo a Denilson. Depois de negociar, comprou um carregador e um suporte para celular por R$30. “Eu nem sei se na mão dele é mais barato que na loja, mas eu tava precisando, aí juntei a necessidade com a oportunidade”, explicou o cliente.
De acordo com dados da Secretaria Municipal de Ordem Pública (Semop), atualmente, cerca de 30 mil ambulantes trabalham em Salvador. Desse total, 11 mil estão cadastrados na Prefeitura. Segundo o órgão, o número de comerciantes informais vem aumentando em função da crise econômica.
Sem patrão
O desemprego também levou Adriano Campos, de 37 anos, a vender produtos na rua. Mas, ao contrário de Denilson, Campos explica sempre gostou da área de vendas e enxergou no comércio em meio aos carros a oportunidade de ganhar mais, além de ser seu próprio patrão.
“Às vezes você trabalha em uma empresa e não valorizam o que você faz. E aqui, querendo ou não, a gente ganha mais que o salário mínimo”, completou Campos.
O ex-técnico de manutenção de obras vende panos de prato, de segunda a sexta, das 7h à 15h, também na região do Caminho das Árvores. Ele revela que chegou a faturar R$600 por semana, em meses mais movimentados. O kit com cinco unidades do produto custa R$10.
Mas o vendedor salienta que percebeu uma queda de 40% nas vendas nos últimos dois meses. Ainda assim, avalia sua mercadoria como fácil de vender, por se tratar de algo essencial para a limpeza do lar.
Mix de produtos
Quem circula pela cidade de carro ou a pé, logo percebe a grande quantidade de vendedores nos semáforos, bem como a variedade de produtos oferecidos. Além de bebidas como água e refrigerante, flanela, brinquedos, frutas, panos de prato, tapetes e eletrônicos compõem o mix de opções.
Conforme a Semop, não existe uma licença específica para os comerciantes que atuam nas sinaleiras. Existe licença para ambulantes volantes, aqueles que usam coletes e circulam pela cidade.